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A fabricante de rolamentos NSK Brasil começa a operar uma nova linha a partir de fevereiro de 2006. A empresa investiu R$ 10 milhões no projeto que substituirá as importações de rolamentos de grande porte da matriz japonesa e será destinado a abastecer o mercado nacional, América Latina e América do Norte. O grupo de origem japonesa da qual a empresa faz parte fechará 2005 com faturamento de US$ 5,5 bilhões.
A substituição de importações em um momento de câmbio favorável se justifica pelo fato da matriz estar trabalhando no limite de sua capacidade. O aquecimento da demanda na Ásia, especialmente da China e Japão, tem levado a empresa a perder vendas no Brasil e no mercado americano, pela insuficiência de produtos para atender as encomendas. A NSK acredita que terá vantagens competitivas de preço e prazo, já que nenhum de seus concorrentes têm fabricação no Brasil.
"É o que justifica o investimento, já que estamos enfrentando problemas de competitividade nas exportações, em função da desvalorização do dólar frente ao real", afirma o gerente de vendas da NSK Brasil, Oswaldo Almeida. O atual patamar do câmbio levou a empresa a congelar um outro investimento do mesmo porte, que aumentaria a capacidade de produção da fábrica brasileira, localizada em Suzano, São Paulo. Almeida explica que o projeto não sairá do papel enquanto a cotação do dólar não voltar a pelo menos R$ 2,70.
A idéia de elevar a participação das exportações no faturamento da filial brasileira também está arquivada até segunda ordem. Almeida diz que o ideal seria que elas saíssem do atual patamar de 5% para uma média de 15% a 20% dos ganhos anuais.
Atualmente entre 70% e 80% da linha de produtos da empresa são importados do Japão. A nova linha produzirá rolamentos de até 180 milímetros de diâmetro externo e elevará em 5% a capacidade produtiva da fábrica de Suzano, a maior da América Latina em rolamentos. Hoje a unidade fabrica rolamentos de até 110 milímetros e tem capacidade instalada para atingir um total de 4 milhões de peças por mês.
Produção deste ano no País será de 45 milhões de peças
Em 2005, a NSK atingirá uma produção de 45 milhões de peças no Brasil, crescimento de 5% sobre o ano passado. Em termos de faturamento, o desempenho deve ser semelhante, mas aquém dos 10% projetados no início do ano. "Além do câmbio, a desaceleração da atividade industrial impactou nossas vendas em OEM (equipamentos originais). A divisão de reposição, que usa basicamente produtos importados, cresceu 20%", observa o executivo. Os rolamentos da NSK são componentes utilizados pela indústria de motores elétricos, motoredutores, eletrodomésticos, insumos básicos, veículos e autopeças. Almeida diz que o grupo está focado em fornecer aos setores de máquinas ferramenta, papel e celulose, siderurgia e mineração, que ainda têm perspectivas de montar grandes projetos no País, a despeito dos juros altos e da valorização cambial. "O Brasil é um país com potencial fantástico, por isso ainda apostamos aqui. Acho que é possível o PIB crescer muito acima das taxas atuais, mas para isso é preciso melhorar a infra-estrutura, reduzir a carga tributária e a burocracia, dando condições para que a indústria decole. É uma questão de vontade política", aponta Almeida. Entre os grandes clientes da NSK estão Weg, Klabin, Bosch e Vale do Rio Doce. A internacionalização da produção é um dos pontos fundamentais da estratégia do grupo, que já está em 55 países e começa a estabelecer bases produtivas. Além do Brasil, a China será um dos principais pilares da NSK no mundo. A empresa já tem quatro unidades produtivas no país asiático. Em 2005, a NSK deve registrar um faturamento global de US$ 5,5 bilhões, com uma produção média de 1,25 bilhão de unidades. A operação brasileira, criada em 1970, responde hoje por 10% da receita mundial. Em 2006, o grupo tem como meta atingir um faturamento de US$ 6 bilhões. Com 95% de sua matéria-prima correspondentes ao aço, a empresa tem sido pressionada pela elevação de preços da commoditie desde 2004. Almeida afirma, entretanto, que não acredita em espaço para novos reajustes. "Não prevemos novo aumento, principalmente porque a China deixará de ser compradora e se tornará vendedora de aço, colocando novas siderúrgicas em operação no ano que vem", analisa.
NSK em números
US$ 5,5 bilhões é o faturamento projetado para 2005 no mundo
US$ 6 bilhões é a meta de 2006
10% é a participação do Brasil na receita do grupo japonês
4 milhões de peças/mês é a capacidade instalada da fábrica brasileira
R$ 10 milhões é o valor do investimento na nova linha
55 é o número de países em que está presente
23 mil colaboradores no mundo todo
Fonte: Jornal do Comércio
Data: (19/12/2005)
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