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ERP feito em casa

Como quatro equipes mundiais de TI da fábrica de rolamentos NSK trabalham para desenvolver um sistema próprio de gestão empresarial.

Por Françoise Terzian / FOTO ALEXANDRE BATTIBUGLI

Poucos CIOs se arriscam, hoje em dia, a desenvolver um ERP internamente, pois o processo pode ser caro, demorado e complexo. Na contramão dessa idéia, está o grupo japonês NSK, um dos maiores fabricantes mundiais de rolamentos, com faturamento global de 5,4 bilhões de dólares, operação em 55 países e mais de 20 mil colaboradores.


    Alexandre Jurca - NSK Brasil

A empresa está mobilizando quatro equipes mundiais de TI - sediadas em Tóquio, Londres, Michigan e São Paulo - para desenvolver seu ERP comercial. Com esse projeto, a matriz pretende dar suporte às operações mundiais de Supply Chain Management (SCM). A expectativa é que todas as unidades do grupo tenham informações sobre produção, estoque e vendas em tempo real, possibilitando maior controle das operações.

No ERP made in NSK, o Brasil cumpre uma tarefa importante. A subsidiária foi incumbida de desenvolver o design da interface do sistema. Foram, ao todo, 160 telas elaboradas em quatro meses. Segundo Alexandre Jurca, gerente de TI da NSK, o país foi escolhido com base no sucesso do projeto de e-Learning, que colocou a operação brasileira como referência mundial, ao combinar eficiência e beleza visual.

Para a NSK, o controle do supply chain é um diferencial, razão pela qual o assunto não pode ser colocado na mão de uma empresa externa. Além disso, segundo Jurca, não existe à venda um sistema tão completo quanto o que a empresa está desenvolvendo. A NSK já tinha um ERP caseiro, batizado de Aspacs, criado nos anos 70. Embora tenha sido eficiente até o momento, o sistema está desatualizado. Construído para mainframe, ele não é aderente à web e apresenta difícil integração com outros ambientes, o que se tornou um problema diante da necessidade de controlar estoques mundialmente.

"Pensava-se em destruir o Aspacs, mas vimos que essa não era a saída. O melhor caminho era a remodelação", afirma Jurca.

Para isso, está sendo construído o RAS (Reconstruction of Aspacs System). "A filosofia do sistema vai ser mantida, mas a construção é do zero", diz Jurca. Muitos processos do sistema anterior estão sendo respeitados, mas a tecnologia passará por mudanças radicais. Assim, se antes a linguagem era Cobol e o sistema rodava em mainframe, agora o RAS está sendo desenvolvido em Java para rodarem equipamentos multiplataforma. A construção do ERP começou no primeiro trimestre do ano passado e a previsão de encerramento é julho de 2006. Até 2008, Jurca afirma que todas as empresas do grupo terão de usar o novo ERP comercial. A operação deve ter início em um pequeno país da Ásia.

Projetos locais

A NSK Brasil já temexperiência com ERP. No início deste ano, a subsidiária finalizou a migração de dois sistemas de gestão nas áreas financeira e de produção. Um dos resultados mais visíveis aparece na fábrica de Suzano (interior de São Paulo). Algumas linhas de produtos, que levavam 28 dias para serem produzidas, agora são concluídas em até cinco dias.

No início da década de 90, a fábrica da NSK Brasilera controlada por programas isolados e por Excel. Em 1998, a empresa decidiu instalar o ERP Glovia, da Fujitsu, utilizado pelas fábricas do Japão, para controlar suas operações. Com o tempo, ele ficou desatualizado, o que levou Jurca, no ano passado, a iniciar o processo de migração para a última versão do sistema. A instalação foi concluída em janeiro deste ano e representou a diminuição de aproximadamente 70% das customizações que tinham sido feitas. Jurca diz que atualmente o sistema dá suporte à eliminação do estoque intermediário (entre as fases produtivas) e redução do lead time (tempo de produção).

Na área financeira, a NSK passou a utilizar, em 2000, a plataforma Peoplesoft, agora da Oracle. Acompanhia adquiriu módulos para cobrir a área financeira, mas precisou adaptá-los às particularidades do mercado brasileiro, com seus diferentes impostos e leis. Com o fim do suporte, a NSK decidiu partir para a migração. Em 2004, iniciou a atualização do sistema e as aplicações de correções para a localização do software, concluída no início deste ano. Jurca diz que antes da versão Web 8.0 e da mudança de processos, o fechamento fiscal levava 180 dias. Hoje, a NSK consegue fazer em três dias.

A unidade brasileira tem capacidade para produzir 50 milhões de rolamentos anuais. "A empresa precisa de um controle rigoroso dos processos e mais eficiência ao longo do ciclo de produção. Com a migração, daremos suporte ao conceito de manufatura enxuta, atingindo com isso resultados concretos, como prazos compactos e redução de custos", afirma Jurca.

 

INFRA-ESTRUTURA DE TI

ERP : Glovia, Aspacs (futuro RAS) e Peoplesoft PCS: 350
SERVIDORES : 23 HP (Unix e Intel)
EQUIPE DE TI: 14 profissionais
USUÁRIOS : 350

 

Fonte: Revista Info
Data:  01/05/2006

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